Um Amor de Uma Vida

 

Para homenagear o dia dos namorados, decidi entrevistar a minha tia avó Maria Lucia, que foi casada durante 74 anos e há exatamente 1 ano perdeu o seu companheiro de vida, meu tio avô Roberto.

A história de amor deles é de outros tempos, apesar de não ser um típico conto de fadas, de alguma forma ele era o príncipe apaixonado, e ela a princesa que precisava de ajuda para encontrar a felicidade.

Como vocês se conheceram?

Eu conheci o Roberto em Santos, nas férias de verão.

Eu já tinha visto ele algumas vezes e uma noite, quando eu estava jantando em casa com a minha família, avisaram que tinha um rapaz no portão querendo falar comigo. A mesa inteira parou naquele momento, se perguntando como assim tinha alguém me procurando.

Um moço procurando uma menina, naquela época, era uma coisa que não existia. Meu pai não queria me deixar ir, mas o Roberto foi esperto. Ele pediu para avisarem que ele conhecia um amigo do meu pai , que estava jantando conosco e confirmou que o conhecia, que ele era um ótimo rapaz. Foi assim que o meu pai me deixou ir.

O Roberto queria saber se nós íamos ao parque, porque tinha dança a noite, então combinamos de nos encontrar lá. Quando cheguei ele me tirou para dançar.

Era tão diferente de hoje, ele ia me esperar na porta da escola, e caminhávamos juntos para minha casa. Se ele fosse de carro eu tinha que descer na esquina para ninguém ver.

O que fez você se apaixonar?

Ele era muito alegre, bem humorado, esportista, mas foi principalmente a persistência dele. Tinha que ser persistente porque a minha irmã não era fácil, ela não se conformava que eu tinha um namorado e ela não.

Quando ele me ligava, ela dizia que ia me chamar e deixava o Roberto esperando. Ele com o tempo aprendeu, já sabia que ela nunca me chamava, então esperava um pouco e ligava de novo.

Além disto, não podíamos sair só nos dois, a minha tia sempre tinha que ir junto. Uma das minhas tias era viúva, sempre sobrava para ela.

Quando íamos ao cinema, além da tia, a minha irmã também ia junto, e vestida igual a mim. Ela escolhia as roupas e o meu pai me obrigava a vestir igual. Eu só vesti uma roupa diferente, que eu mesma escolhi, no dia do meu noivado.

Eu não era muito feliz na minha casa, não era uma boa vida. Para dizer a verdade assim que eu vi o Roberto, primeiro me apaixonei pela oportunidade de sair de casa. É claro que depois me apaixonei por ele, ou não teria casado.

Ele já dizia que no primeiro dia em que me viu, caminhando na praia em Santos, sabia que queria casar comigo.

Ele teve que pedir para casar com você?

Eu lembro que uma noite ele veio à minha casa, junto com os pais dele, queriam conversar com os meus pais. Eu não podia escutar o que eles falavam, eu estava em outra sala, mas eu já sabia o que era.

Quantos anos você tinha quando casou?

Eu não sei bem se com 19 ou com 20, no dia em que  casei, em janeiro de 1941, eu estava com 19, mas 10 dias depois eu fiz 20.

Qual foi o seu segredo para ter um casamento feliz?

Acho que o meu principal segredo foi não brigar por qualquer coisa, mesmo coisas que eu achasse muito ruins. Não adianta brigar, porque a situação não melhora e você fica chateada por ter brigado. Eu via a minha irmã, que brigava por qualquer coisa, e achava que ela não era feliz por conta disto, então fiz diferente.

Do que você mais sente saudades?

Não posso escolher uma coisa, são muitas coisas, o humor dele era uma delas, mas eu tenho saudades de tudo, tudo mesmo.

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