Sybil e Um Pouco da Vida na Austrália

Este é o primeiro post de uma série sobre alimentação e maternidade ao redor do mundo, com o objetivo de mostrar diferentes estilos de vida e maneiras de alimentarmos nossas famílias.

A ideia é trazer inspiração para todos nós, aprendermos um pouco com a experiência dessas mulheres, brasileiras que estão vivendo e criando seus filhos fora do Brasil. Espero que gostem!

A Sybil mora na Austrália com o marido, Jason, e a filha, Ahliyah, de 2 anos e meio. Ela conta sua trajetória e fala um pouco sobre a vida lá do outro lado do mundo.

Um pouco da história de vida da Sybil e de como chegou no país onde vive atualmente

Sou uma nômade e minha historia é longa. Nasci em Santos, mas morei a maior parte da minha infância em São Paulo.

Quando terminei o colegial, sabia que tinha que sair de casa para estudar e para conhecer o mundo. Um dia antes do meu aniversário de 19 anos, em 2003, fui viajar pela Europa e comecei a estudar na Suíça.

Lá a vida foi bem difícil, mudança de cultura, temperatura e estar independente, longe dos meus pais e duas irmãs, teve um impacto maior do que eu esperava. Apesar de ter família na Suíça e amigos que mudaram ao mesmo tempo, eu não consegui me adaptar muito bem.

Logo encontrei um jeito de aproveitar melhor aquele momento da minha vida, trabalhava (e estudava!) todos os fins de semana em bares, restaurantes, fazendo propaganda para produtos, etc. Conseguia guardar dinheiro e assim que entrava de férias da faculdade, ia viajar e explorar a Europa.

Viajei muito e foi na primeira viagem que fiz sozinha, em 2005, no sul da Espanha, que conheci o Jason, meu marido. Depois de dois anos em um relacionamento a distância, assim que terminei a faculdade, me mudei pra Dubai, no oriente médio, para morar com o Jason.

Foi outra mudança de vida drástica, mais uma cultura para conhecer e novos costumes para entender. A vida em Dubai foi muito boa e rica em aprendizagem. Viajamos para muitos lugares pertinho de onde estávamos: Sultanato de Omã, Líbano, Maldivas e a lista continua.

Até que a crise chegou e resolvemos nos mudar para a Austrália, o país do Jason. Em 2011 nos casamos e mudamos para uma cidadezinha na praia chamada Port Macquarie. Foi mais uma grande mudança, fomos de um lugar multi cultural para uma cidade pequena, sem estrangeiros.

Durante um ano e meio eu não tinha visto de trabalho, não podia trabalhar. Me envolvi muito com yoga e com o jardim da comunidade.

Sete anos depois, ainda estamos lá, planejando a próxima aventura. Agora com uma filha de dois anos e meio, grávida do segundo e um cachorro de seis anos. A três anos atrás eu co-fundei a primeira forest school (escola da floresta) daqui, chamada The Nature School.

Como são os dias da Sybil

Tento passar grande parte do meu dia na natureza. Começamos com uma caminhada na praia com o nosso cachorro e depois encontramos com outras crianças para brincar. Logo após o almoço é hora da siesta (soneca) e a tarde brincamos em casa ou no jardim, e eu tento fazer todas as tarefas da casa, ou não ;).

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Sobre a cultura australiana

A cultura na Austrália é muito semelhante à brasileira. Apesar do churrasco australiano ser a gás e não carvão, algo que ainda me surpreende, e o jeito de conversarem; quando alguém pergunta se está tudo bem, é normal responderem “not bad” (não está mal). Algo que acho muito negativo.

É um lugar muito seguro então já me acostumei a viver confiando nas pessoas e nossa filha tem muita liberdade, algo que no Brasil seria outra história.

A alimentação da maioria das crianças é ruim, como a de muitas crianças no Brasil: muito açúcar, batata frita e macarrão.

A experiência da maternidade longe da família

Me tornei mãe na Austrália, e minha mãe ficou conosco por dois meses, o que ajudou muito e foi muito especial. É difícil estar longe da família quando se tem filhos!

Nós planejamos que o nascimento da Ahliyah seria em casa, mas os planos mudaram e ela nasceu no hospital, 28 horas depois. Aprendi rapidamente que quando temos filhos, não dá para planejar muito, é necessário ser flexível e aberta.

Acho que as mães na Austrália tem muito suporte, o hospital público organiza grupos de mães, existe suporte para amamentação, e também em caso de depressão ou outras complicações.

Sobre a Ahliyah crescer bilingue

A Ahliyah aprendeu inglês porque a maior parte das pessoas com quem ela convive conversam em inglês, ela fala muito bem. Sabe direitinho com quem falar inglês e com quem em português. Ás vezes mistura as duas línguas.

A alimentação da família

Nos consideramos bem naturebas. 90% da comida que consumimos é orgânica e por um tempo só comíamos comida crua, mas desde que fiquei grávida pela primeira vez, voltamos a comer carne. Tento comprar direto da fazenda, raramente vamos ao supermercado. Muitas verduras vêm direto do jardim (nosso, de amigos ou comunitário).

Minha filha adora ajudar na cozinha então sempre que está interessada deixo ela ajudar. Agora, aos dois anos e meio de idade, ela já sabe quebrar ovos e cortar frutas e verduras macias. E ama enrolar (e comer!) bliss balls (é um docinho saudável feito com nozes, sementes e frutas secas, em formato de brigadeiro). Normalmente eu cozinho, mas meu marido ajuda bastante.

Cozinhamos conforme as estações, com o que está disponível em cada época do ano, então varia muito. O tipo de cozinha também é variado, mas arroz e feijão, ou lentilhas, estão entre os favoritos da nossa filha.

Muitas vezes, sem tempo, colocamos verduras no forno com um pouco de ghee ou azeite, ervas por cima e uns 30-40 minutos depois o jantar está pronto. Ás vezes fazemos arroz para acompanhar, ou aproveitamos humus ou pesto que já temos pronto de alguns dias atrás.

Sobre que levamos de lanchinho quando saímos de casa, aqui vão alguns exemplos: frutas da estação (maçã, banana, morangos, uvas, etc.), nozes (muitas escolinhas proíbem nozes por causa de alergias), tomatinhos, pepino com humus, crackers que faço em casa, sushi, restos do jantar, queijo, ovo cozido, grão de bico/feijão de diferentes tipos ou crepioca com 1 ovo e 2 colheres de sopa de tapioca. A creprioca também pode virar almoço, sirvo com abacate, cúrcuma, pimenta e sal, ou com mel e tahini.

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Sobre a comida australiana

A comida aqui tem muita influência inglesa, não é muito o nosso estilo de comer. Muitas tortas, massas, embutidos, etc.

Durante o dia estamos sempre fazendo algo então é raro termos tempo para cozinhar. A maioria dos australianos também só cozinha a noite. Aqui é tão quente no verão que na hora do almoço não acendo o forno ou fogão de jeito nenhum :). Comemos a comida que sobrou do jantar ou fazemos um saladão com o que tiver na geladeira e na horta. A nossa filha ás vezes não come nada, ás vezes come partes das saladas.

O que costumam cozinhar 

Fazemos muito “stir fry” (verduras na frigideira wok com arroz), ás vezes adicionamos carne, frango ou fazemos haloumi (parecido com queijo coalho). A proteína costuma servir como motivação para nossa filha comer as verduras. Não costumo seguir receitas, sigo a minha inspiração da noite, com o que tem na geladeira.

De vez em quando compro um frango inteiro e coloco no forno com alho, ervas e muitas verduras. Depois de comer coloco os ossos com cebola e o que sobrou das verduras para cozinhar, cubro com água, adiciono uma colher de vinagre de maçã e deixo cozinhando em fogo baixo por 12 horas ou mais. Depois passo o caldo na peneira e coloco em potes no freezer, assim sempre que preciso cozinhar arroz ou lentilhas uso esse caldo para deixar a comida ainda mais nutritiva.

Sobre a escola e a alimentação das crianças australianas

A Ahliyah ainda é novinha e não vai para escola. Durante alguns meses ela frequentou um family day care um dia por semana (é a casa de uma educadora registrada, que pode ter somente 4 crianças com menos de 4 anos). É uma opção ótima para quem não quer uma escolinha muito grande, com 20 crianças e 5 professores.

Percebi que no Brasil é comum crianças bem novas irem à escolinha todos os dias da semana. Na Austrália tem um pouco de tudo, mas é comum crianças com menos de 3 anos irem apenas 2-3 dias por semana.

Normalmente os pais levam a comida, mas também tem alguns lugares que oferecem as refeições. Eu trabalhei com crianças durante muitos anos e infelizmente a comida da maioria vem em saquinhos, em plástico, e não é natural. Na escolinha que comecei aqui, tentamos motivar os pais e dar ideias do que chamamos de nude food (comida nua = comida pura, de verdade).

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Muito obrigada, Sybil! É muito bom poder conhecer um pouco mais sobre você e a vida na Austrália! 

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