Cecilia e Um Pouco da Vida na Inglaterra

O texto de hoje é da Cecilia, uma amiga muito querida que mora na Inglaterra com o marido e os dois filhos, Emília e Benício. Ela divide conosco um pouco da sua história, da decisão de mudar para a Europa e a alimentação dos filhos.

Aqui vão as palavras dela:

Vamos começar do início. Sou brasileira, nascida em Niterói, criada em Salvador e “crescida” em São Paulo.

Sou casada com um inglês e temos uma menina de 5 anos e um menino de 2.

Nós nos conhecemos em Madrid, moramos em Londres e decidimos nos casar no Brasil e viver por lá durante alguns anos. Minha filha mais velha nasceu em São Paulo.

Ela tinha uma alimentação super saudável. As pessoas frequentemente comentavam como ela comia bem.

No Brasil o ambiente ajudava muito, pois a alimentação na escolinha era maravilhosa, as opções nos restaurantes eram excelentes e na casa dos avós e parentes sempre tudo era muito fresco e variado. Ela amava frutas, água de coco, legumes, folhas… era invejável.

Quando ela tinha 2 anos, nós decidimos nos mudar para a Inglaterra.

Fizemos as contas e chegamos à conclusão que não tínhamos condição de ter dois filhos no Brasil, pagando duas escolas particulares, condomínio, etc. A conta não fechava.

Um dia fiquei presa no trânsito caótico típico paulista e comecei a chorar porque sabia que quando chegasse em casa minha filha já estaria dormindo, e eu não ia conseguir vê-la.

Organizamos a mudança, vendemos o carro e o apartamento e fomos. Meu marido por sorte conseguiu uma transferência com seu trabalho.

O que eu amo na Inglaterra? Muita coisa.

Escolas são de graça (apesar da creche ser paga até dois anos), nós moramos numa cidade pequena e tanto eu quanto meu marido trabalhamos de casa – engarrafamento é uma memória distante, violência é quase nula.

Existem mil atividades para se fazer com crianças; fazendas, zoológicos, parques, parquinhos, museus, teatros… Raramente preciso fazer a mesma coisa mais de uma vez.

Mas o que faz o lugar são as pessoas e eu adoro os ingleses; a cultura, a música, a TV, o humor, os amigos… Ajuda muito o fato de meu marido ser inglês, pois meus sogros ajudam com as crianças sempre que podem.

O que eu não amo: O clima – no inverno faz frio, chove e fica escuro ou cinza o tempo todo. Mas gosto da mudança das estações e aqui temos condições de viajar bastante, então sempre que possível vamos para o sol.

A alimentação! Essa virou uma saga… Nas cidades maiores e cosmopolitas os restaurantes são maravilhosos e diversos, mas nas cidades pequenas como a minha, o comum é o menu pub – que sempre tem as mesmas opções para crianças: peixe frito ou nuggets com batata frita, hambúrguer ou salsicha.

O menu da escola é só um pouco melhor… A maior parte dos ingleses não come bem, ao visitar amigos e parentes ou em festinhas infantis sempre tem bastante chocolate, batata chips, e suco artificial. Suco fresco, da fruta, não é comum aqui.

Em restaurantes tenho que pedir água. Então pra manter a alimentação da minha filha saudável teria que tomar a frente da alimentação dela – o que eu não fiz.

Entre trabalho, readaptação no novo país, fazer coisas com as crianças e manter a casa em pé – aqui não temos funcionárias que ajudam na casa, como no Brasil – eu não consegui. E a verdade é que eu não amo cozinhar.

Avaliar que tipo de mãe você é, através de como seus filhos comem é bem universal. Minha filha começou a ficar super chata para comer e ainda é. Tentei não deixar ela sair da mesa enquanto não comesse, fiz tabelas premiando, principalmente se tivesse platéia, porque eu sabia que estava sendo julgada cada vez que ela não comesse.

Chegamos ao momento atual; Eu não brigo mais. Refeições não são mais momentos de conflitos. Ela come o que quiser.

Lembrei de como detestava ser obrigada a comer quando era pequena e decidi não fazer mais isso. Não funcionou comigo e não estava funcionando com minha filha.

Não compro mais besteira. Se ela não jantar, depois quando ficar com fome vai ter que comer o que temos em casa – muitas vezes é banana, mingau de aveia, maçã…

Aceitei que não sou a mãe perfeita. E tudo bem. Continuo sempre fazendo meu melhor, envolvendo os pequenos na preparação das refeições, oferecendo coisas saudáveis e mantendo uma rotina familiar na mesa.

Meu filho come melhor e minha filha vai chegar lá quando ela estiver pronta. E por enquanto, sei que ela come bem suficiente, que ela é esperta, amada e feliz.

Cecilia, muito obrigada por compartilhar com tanta sinceridade. Somos todas perfeitamente imperfeitas e, como você disse: Está tudo bem.

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